Entrevista com o shaper Filipe Blanco, da Surf!?

GM: Desde a criação da Green Minds, acreditamos que a cultura que envolve o surfe precisa de mais pessoas que pensam e criam como você. Então, a ideia aqui é contar um pouco a sua trajetória e dividir os conceitos para uma nova forma de agir e pensar.

Nos conte um pouco sobre quem é o surfista Filipe (@filipeblancoart): 

FB: Nasci em Santos e sempre fui fissurado por esportes. Meus pais sempre me incentivaram e ainda pequeno tive a oportunidade de ganhar vários modelos de pranchas, entre elas de isopor, fibra, kneeboard, bodyboard e handboard. Faço o máximo para não perder nenhum swell e se possível, sempre de bike. Adoro viajar pelo mundo para surfar e compartilhar conhecimentos. Faço o máximo possível para ter esse estilo de vida na companhia da minha filha e dos amigos. Uma das coisas que mais gosto de fazer em paralelo é cuidar do meu jardim, que construí na calçada da minha fábrica.

Filipe Blanco Surfing

(Filipe, em ação no mar).

GM: Como começou a se aventurar no mundo das plainas?

FB: Viver do surf era um sonho... Em 1998 fraturei a coluna e por pouco perdi os movimentos. Tinha 19 anos e foram 8 meses de tratamento. Ficar sem surfar foi cruel. Após meu pai fechar sua empresa no Guarujá onde eu trabalhava, decidi por influência do Paulinho do Tombo a começar a trabalhar com pranchas de surf. No início eram apenas reparos até que em 2002 com a o auxilio do shaper Jorge Dornellas comecei a reproduzir minhas ideias de design. 

shape room 

(Filipe em ação no shape room)

Jardim

(Jardim na calçada do shape room)

GM: Na arte de shapear, quem são as suas referências?

FB: Luiz Fernando Martins, Jorge Dornellas, mas as maiores inspirações foram o Eduardo "Twin" Argento e Homero Naldinho, pois criaram muitos designs numa época onde tudo era experimental, e isso nos dias de hoje é muito difícil, pois a maioria segue tendências.

Eduardo Argento Twin Homero

(Eduardo "Twin"Argento e Homero Naldinho)

GM: Como surgiu o conceito de sustentabilidade em sua profissão?

FB: Minha família trabalha com "ferro velho" há 80 anos e cresci vendo tudo sendo reaproveitado. Minha primeira bicicleta era usada, pranchas, entre outros "brinquedos". Nunca tive problemas em ter uma vida "Upcycle". O desperdício me causava impacto e quando comecei a trabalhar com pranchas isso ficou evidente. Procurando alternativas parei de usar PU e só trabalho com os melhores isopores do mercado. Já as "Pranchas Sustentáveis", nasceram por conta do aumento da produção de Stand Up (2010). Criei o primeiro modelo com sobras de isopor, longarina de papelão, sobras de fibra e resina epoxy. Dei o nome de "OVNI Recycle/Fin Less", pois o design permite surfar sem quilhas. Estou inserindo novas resinas onde uma delas é 54% orgânica.

Upcycling

(Bloco com sobras de isopor)

GM: Até hoje sabe nos dizer quantas pranchas sustentáveis já produziu?

FB: Desde 2010 foram produzidas 55 pranchas com diversos designs. Stand Upcycle, Fin Less, Biquilhas, Assimétricas, Foilboard e a "Totora Brasilis" em homenagem aos "Cabalitos de Totora" que participou do Concurso de Inovações sendo uma das finalistas assim como a "OVNI Asymmetric". Também criei designs para Surf Dog e para Deficiente Visual.

(OVNI Asymmetric)

Kelly Slater; OVNI Assymetric

(Filipe apresentando a OVNI Asymmetric para Kelly Slater)

GM: Em uma sala de shape, quais são os maiores vilões ao meio ambiente?

FB: Sobras de Poliuretano e Isopor.

GM: Quais são as iniciativas mais sustentáveis que você já adota no dia a dia em sua sala de shape e incentivaria os colegas de profissão a fazer o mesmo, para que em conjunto, o impacto ao meio ambiente seja menor.

FB: Tento reaproveitar ao máximo as grandes sobras de isopor, alguns pedaços viram esculturas, mas ainda não existem descartes eficientes. Creio que aos poucos isso irá mudar. O ideal seria todos encontrarem um consenso e debaterem o assunto na busca de um futuro diferente. Afinal o planeta é de todos e devemos progredir.

GM: Em termos de matéria-prima, existe uma luz no final do túnel a curto-prazo, para que a gente possa surfar com a consciência mais tranquila?

FB: Sim. Pranchas com materiais orgânicos, reutilizados e principalmente sempre manter seu equipamento conservado. Isso é primordial! Por isso criei o "Fastrepair013"(@fastrepair013), um projeto de manutenção para agilizar o processo de reparo com alta qualidade. Montei uma grande equipe de atletas de diversos seguimentos com a intenção de mostrar através desses atletas a importância de manter seu equipamento em dia. Todos são surfistas e alguns competem no Circuito Mundial de Sup Wave, WQS, Surf Dog e Surf Adaptado.

Conserto de pranchas

(Fast Repair 013, consertando a prancha de Alex Ribeiro)

GM: Você também criou o Estação Coleta (@estacao.coleta), uma grande iniciativa para os surfistas da Baixada Santista ajudarem no processo de reciclagem dos equipamentos de surfe, como funciona este projeto?

Estação Coleta

(Estação Coleta)

FB: É um espaço dentro da empresa do meu pai, onde os surfistas podem descartar todos os tipos de equipamentos de esportes radicais que estão danificados ou em desuso. O que pode voltar a ser utilizado, restauramos. Uma parte é doado, outra revendida e o que não há utilidade será transformado em outro objeto. É uma espécie de economia circular.

GM: O surfe como esporte vive um momento de massificação mundial, sendo 2020 a primeira participação em uma Olimpíada. Em contra-partida, acompanhamos um 
mercado em crise, com várias notícias que seguem na contra-mão do sucesso do 
esporte, como marcas sendo vendidas para grandes grupos internacionais, atletas perdendo seus patrocínios, varejo fechando lojas, falta de eventos regionais, etc. Você acredita que a sustentabilidade tem espaço nesse mercado? Como seria, ou como gostaria que fosse?

FB: Tudo na história do planeta teve seu momento. A capacidade humana de se adaptar trará novas alternativas e certamente o mercado não será igual pra sempre. Afinal de contas o consumo está fora da realidade. Será que precisamos de tanto? Não tenho dúvidas que a Sustentabilidade é o Presente!

Filha

(Praia e surfe sempre na companhia da filha)

GM: Para finalizar, por favor, mande seu recado Green Minds para quem quer mudar a forma de como agimos com o nosso Meio Ambiente, com o nosso esporte e estilo de vida e dicas para deixarmos um planeta melhor para as próximas gerações. 

FB: Certamente o surf é uma ferramenta muito importante para o desenvolvimento social. Procurem ações que tragam bem-estar e escolham produtos que foram desenvolvidos com critérios. Seria incrível um dia podermos dizer que fizemos a "Diferença" no futuro do nosso Planeta!!!

Viagem Perú

(Filipe em viagem pela América do Sul)

Fotos: Arquivo pessoal.

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