Conversamos com o multi-tarefas Fabrício Flores (Fafá Flores), shaper da Sea Cookies Handshapes

     Com alguns amigos em comum e conhecendo-o pessoalmente, descobrimos que o shaper Fabrício Flores também pensa como um Green Mind e, em todos os setores em que atua, sempre tem aquele detalhe preocupado com o nosso mundão. Além de shaper e designer das @seacookieshandshapes, organiza um dos melhores eventos da cultura surfe do país, o @lagoasurfearte, é chef de cozinha com a @flor.e.sal e um amante de tudo o que vem do mar e da terra. Ainda tem tempo para organizar um evento gastronômico secreto, o @lugaralgum, que pode acontecer em qualquer lugar a qualquer momento.
     Com este perfil empreendedor e inquieto, fica difícil saber por onde começar, mas nosso objetivo é explorar a mente Green Minds e inspiradora de Fabrício que, além de tudo, é engenheiro e Doutor em Recursos Pesqueiros e Aquicultura.
     Portanto, sirva-se de uma xícara de chá ou café pois a conversa foi longa, e boa leitura!
GM: Quem é o surfista Fabrício Flores?
FF:       Boa pergunta. Acho que começarei dizendo que sou um surfista medíocre perto do desejo da maioria que entra no esporte. Acho que sempre fui. Péssimo tuberider, já perdi mais tubos do que peguei, nunca dei um aéreo ou 360°. Mas convivo muito bem com tudo que o surfe me proporciona, porque essa mediocridade não diminui minha identidade surfística. O interessante é que, pensando na sua pergunta, o que mantém viva minha alma surfista é essa energia que ainda sinto, mesmo em terra e há semanas sem entrar na água (37° dia de isolamento social – COVID19), sob mais pés.
Fabrício Surfando
(Fabrício mandando uma rasgada numa esquerda bem divertida).
            O surfe para mim é, antes de qualquer manobra, o tempo dentro do mar, flutuando sem todos os pés no chão, longe de qualquer encrenca que precisa ser resolvida em terra firme. É o tempo de perceber o mundo natural, com aves, peixes, mamíferos marinhos, cores e temperaturas diversas e a variação da maré. É o amor à primeira vista da onda que entra perfeita na sua frente, a beleza do vento penteando o início da crista, o vento no rosto sorridente durante a remada, a energia de uma cavada perfeita, a velocidade e fluidez conseguido, um highline perfeito (e duplo, se possível), um cutback não maior que o sorriso proporcionado...
            Talvez pelo fato de não ter nascido em praia nenhuma, me sinto local de todas. Por onde passei consegui fazer amigos. Em uma análise mais macro, o surfista Fabrício é um surfista das antigas, com um pensamento moderno. Prefere surfar de biquilha, tem mais singlefin do que qualquer outro modelo, acredita que “quanto menos quilhas na prancha, mais amigos se faz na água”, e que “o que o mar une, a terra não separa”. Acho que podemos finalizar assim...
GM: Como começou a se aventurar no mundo das plainas?
FF:       Meu primeiro shape com plaina foi só na primeira encomenda, mas me aventurei nos shapes em 2014, que convém contar a parte anterior a data...
            A história é maluca, porque em, talvez 2000, estava no início da minha graduação em Engenharia de Aquicultura (UFSC), já havia visitado algumas salas de shape e vinha testando alterações de design a cada prancha que mandava fazer desde 1994, trocando fundos, rabetas, questionando quilhas, lendo revistas, vendo VHS e também alisando toda prancha que aparecia e tentando entendê-las. Comecei a encomendar pranchas mais largas. Em 2000, era raro alguém com 1,90 m, pesando 80 kg, encomendar uma 5’10” x 21” x 2 3/4”, quase reta (menos de 4” de bico e 2” no tail), widepoint deslocado 6” em direção ao bico, quad fins, double wing, diamond tail encaixado num rabetão! Hahahaha... montei e funcionou. Mas era mais raro ainda shapers aceitarem fazer 100% das minhas ideias. Teve um que chegou a dizer que não colocaria sua seda num “negócio desses”... hahahaha... Meus amigos olhavam minhas pranchas e falavam “tuas pranchas parecem umas bolachinhas”! Carregando suas 6’ e pouco x 19” de meio, triquilha, KS model...
            Foi nesse cenário que nasceu a vontade de fazer pranchas. Naquela altura sonhei que, um dia faria minhas próprias pranchas, para família e amigos, e o nome seria Sea Cookies (tradução livre para bolacha do mar) e o símbolo seria uma bolacha do mar (uma Mellita sp.).
Prancha de surfe Sea Cookies Handshapes
(Prancha Sea Cookies Handshapes).
            Corta e vamos para 2009, por aí... fiz amizade com o shaper Marcos Mota (Aircraft Surfboards, Saquarema, Rio) que topou fazer as minhas encomendas de acordo com meus pedidos, salvo algum absurdo. Trabalhamos remotamente em três modelos seguidos, ele desenhava no software, me enviada as imagens, eu imprimia, riscava, digitalizava e mandava junto um texto com as alterações. Falávamos e, depois de algumas semanas buscava ela na empresa de transportes. E, funcionaram. Todas elas. Muito bem!
            Corta novamente e chegamos em 2014. Preciso fazer um recorte aqui para contar aqui que, neste momento da minha vida, aos 36 anos, já tinha técnica de trabalhar com diversos materiais e suas ferramentas específicas. Madeira comecei com 10 anos, aos 14 já havia construído uma garagem e moldado e desmoldado centenas de moerões com meu avô (aqueles pilares de concreto para cercar terreno com arame enfarpado), montado e desmontado rádios, bicicletas, cortado e temperado vidro por um ano, vários tipos de metais, telhas, estava construindo um laboratório em containers dentro da universidade... enfim, construção e handmade não eram problemas nenhum. Era artesão, um egenheiro capacitado e sabia disso. Numa tarde de julho recebo um telefonema do meu quase-xará Fabrizio, que tinha um restaurante que frequentava, me contando que estava shapeando uma prancha e me pediu para ver como estava ficando. “Tu tá shapeando??” Meu espanto era porque não fazia ideia que ele tinha esse desejo e já era o 5° ou 6° bloco roído dele. Corri para lá pra ver a escultura do amigo e saí da casa dele com a certeza que chegara o momento. “Preciso shapear minha primera prancha! Se ele chegou ‘nisso’, eu tenho condições de fazer uma prancha”! No caminho pra casa já passei no Luciano e Kaku, orcei bloco e ferramentas mínimas, que comprei na mesma semana. Um bloco, o surform, duas plaininhas manuais (a pretinha e aquela azul) e aquela régua de acetato. O restante dos equipamentos eu mesmo fui concebendo conforme a necessidade surgia. Lixa grossa para madeira colada em desempenadeira para massa corrida, taco de lixa de borracha de chinelo, e por aí vai. Agora o desafio era onde fazer. Poucos dias depois, surfando na Joaca, troco ideia com um cara na água e depois de umas ideias pergunto o nome. Era o Kaxo! O Kaxo, já vivia no meu imaginário há décadas, por ser um dos laminadores mais antigos da Ilha. Tive algumas pranchas com a seda dele no bottom, perto da rabeta. Excelente trabalho até hoje, vale destacar. Aproveitei o papo, depois de dar o devido reconhecimento ao talento e já ali, aproveitei para orçar. Orçamento aproximado feito, me perguntou quem era o shaper, comentei que era eu mesmo, ele perguntou se eu era shaper e eu disse que achava que sim. Rimos! Me perguntou onde faria a minha prancha, e eu disse que na garagem de um amigo (o Fabrizio havia me oferecido o espaço dele – a churrasqueira), e ele me ofereceu uma sala que ele tinha na fábrica dele. Foi um momento de extrema alegria... saí do mar de cabeça feita num dia de altas ondas, havia resolvido minha vida e começado uma amizade que dura até hoje. A fábrica do Kaxo ficava na rua de frente ao meu endereço, era só atravessar um terreno e passar por duas cercas. Baixei um arquivo na Blending Curves (site) e, no contraturno do meu pós-doc, passei quase um mês ralando um bloco de PU. Sem plaina e apenas ferramentas manuais fiz a 01 (5’10 x 22” x 3”, singlefin fixa, pintail), batizada de Pumpkin Seed que funciona até hoje muito bem e a 02, uma assimétrica 6’0” fish twin de frontside com 5”10” round quad de backside, batizada de Dr. Freak depois de uma trip para Lobitos e ser a principal prancha naquelas esquerdas surfadas por duas semanas consecutivas. Imprimia minhas sedas em impressora comum na lan house da esquina.
Prancha Dr. Freak 1   Prancha Dr. Freak 2
(Pranchas Dr. Freak 1 e 2)
            A plaina apareceu na minha primeira encomenda, uma Mini Simmons 4’11” para o amigo Fabiano. Não haveria surfista que esperasse tanto tempo para uma prancha ficar pronta. E eu não teria braço e nem ideologia suficiente para manter o desejo de shapear apenas com ferramentas manuais. Comprei uma Makita que uso até hoje, sem reforma alguma, queixo duro. Mas meu início, e até agora, foi, e é, uma excelente escola.
Shapeando
(Fabrício e sua plaina)
            De lá pra cá, fiz quase 40 pranchas incrivelmente distintas, algumas concebidas desde às quilhas até a criação das estampas e com algumas dezenas de retornos incríveis mencionando que “aquela era a melhor prancha da minha vida!”. Algumas merecem destaques, como a 5’7” twin nomeada de The Fishenstein Project (prancha a partir de diferentes resíduos, ficou em 2° lugar global no Upcycle Vissla 2016 e foi comprada pelo Paul Naude e está na CA, no museu da marca – vídeo do projeto https://www.instagram.com/p/BaJnzkNgOAX/?igshid=lz1f0kbhbb8q) e a prancha recentemente desenvolvida para PcDs (pessoas com deficiência), projetada para surfistas cadeirantes, em parceria com o Departamento de Mecânica do Instituto Federal de Santa Catarina, o projeto Nas Ondas do Bem (@nasondasdobem) e a Associação Surf Sem Fronteira (@surfsemfronteiras). Trouxe para esse protótipo uma bagagem gigante de referências que tinha acumulado até então... é linda e funcional! A Vitória conectou até o inside na primeira onda com ela! Foi incrível! Emoção em todos na areia!!
FishesteinNas Ondas do Bem e Surfe sem FronteirasNas ondas do Bem e Surfe sem Fronteiras
 ((The Fishenstein Project e Projetos Nas Ondas do Bem e Surf Sem Fronteiras)
GM: Na arte de shapear, quem são as suas referências?
FF:       Temos muitos escultores excelentes, mas mais do que shapear, a concepção da peça como um todo acho de extrema importância. Nesse sentido, no Brasil, as pranchas do Tito Surfboards sempre foram referência de acabamento e refinamento. O Tito é uma grande inspiração no surfe. E como humano, bicho terrestre também. Como shaper e designers, tem pessoas de extrema importância na história pretérita e também atual do surfe que me inspiram. Internacionalmente: Bob Simmons e o uso do livro de Lindsay Lord - Naval architecture of planing hulls (1963), Gerry Lopez, Dick Brewer, Bob McTavish, Carl Ekstrom, Ben Aipa, George Greenough, Simon Anderson, Mark Richards, os irmãos Campbell, Donald Brink, Ryan Burch, Ryan Lovelace, Christenson, Mackie Designs, Jay Surfboards, Martin Shapes, Neal Purchase Jr., François Jaubert, Derek Hynd Lufi, Nico da Wavegliders, Pedro Falcão da Fly Black Bird, o Amador da Lazy Surfboards. o Leandro da Leander Waveriding, ... parece muitos, mas certo que estou esquecendo alguém. Ultimamente tenho me distraído pesquisando os trabalhos dos shapers e fabricantes de quilhas do Japão, principalmente para longboard, tipo o Ames (@ms_surf) e outros.
            No Brasil, além do Tito Rosemberg, Rico de Souza, Wanderbill, Fernando Marreco, Kareca, Avelino Bastos, Henrique Ogro Perrone, Neco Carbone, irmãos Siebert, David Weber, Pedro Fujarra, Bê Sodré, Rodrigo Matsuda, Roberto Ribeiro, Alex José Noserider... novamente posso estar esquecendo alguns nomes importantes... preciso citar o Jair Fernandes, o Machucho. Esse cara é genial! Sempre na vanguarda de desenvolver novos equipamentos com materiais nada tradicionais. Preciso destacar pelo menos três shapers nesta minha caminhada até o momento: o Kaxo, por me mostrar as primeiras visões entre sombra e luz nas primeiras pranchas, o Jefferson Lopes, por me dar dicas preciosas de equipamentos para “reformar” minha recém adquirida Makita, e o Avelino, que me viu shapear alguns blocos quando trabalhei como Engenheiro de Produção na Tropical Brasil em 2017 e me deu algumas aulas e várias dicas, refinando meu trabalho e apurando meu olhar na arte, além de ferramentas que uso e carrego comigo até hoje, com muito amor. O Avel é um designer e pesquisador inquieto, nossas conversas sempre duram horas. Está anos-luz na frente no atual tradicional CNC e laminação. Ele já testou fundos e hipóteses desde os anos 80 que vocês nem imaginam!
GM: Como surgiu o conceito de sustentabilidade em sua vida?
FF:       Acho que vem com uma bagagem ancestral, herdada dos meus avós maternos que eram da lavoura e que pude ter uma escola ainda na infância sobre as coisas da terra e a importância de cuidar dela. Mas sempre tive uma sensibilidade em cuidar, desde pequeno. Levava para casa cachorros e gatos que encontrava na rua, minha mãe ficava louca. Tive uma bagagem no escotismo também, o que ajuda muito nesse jeito de ver e se comportar no mundo – Sempre alerta! Daí veio meu 2° grau técnico em Edificações, depois a graduação que optei – Engenharia de Aquicultura (profissional que se dedica ao cultivo de organismos aquáticos), a co-fundação de uma escola em Educação Ambiental em São José (2006, SC), co-fundador do Instituto PEROÁ – Pesquisa, Extensão Rural e Organismos Aquáticos, uma ONG que trabalha com comunidades tradicionais (desde 2008, ES; atualmente Diretor de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação Tecnológica) e 11 anos na pós-graduação em Aquicultura estudando o impacto dos efluentes urbanos (esgoto sanitário, fármacos, petróleo e derivados) em ambiente marinho e de cultivo (UFSC, 2006 – 2017; mestrado, doutorado e dois pós-docs trabalhando com biologia molecular). Em 2018 fiquei em Brasília trabalhando para a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) junto à Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca, como consultor especialista em subprodutos de beneficiamento de pescados.
Amante da Terra
(Amante da terra)
GM: Em uma sala de shape, quais são os maiores vilões ao meio ambiente? Existe algo sendo feito nessa atividade, que é uma arte, mas ao mesmo tempo trabalha com materiais altamente poluentes?
FF:       Não me vem à mente neste momento outra coisa que não seja o que sobra de PU e EPS, proveniente do petróleo, matéria-prima finita derivada de petróleo, oriunda de uma indústria sinistra que neste exato momento está poluindo algum ecossistema do mundo onde se encontre instalada. É bizarro! E me dói pensar nisso. Essa “arte” do passado atualmente embalada e de carona na visão de outras indústrias extremamente capitalistas, embalada pelo consumismo implantador da ideia que temos que adquirir sempre a “última novidade exclusiva prestes a ser lançada” é uma grande geradora de lixo. Eu me preocupo demasiado com isso! Cada Sea Cookies que produzo, é de minha responsabilidade o que acontecerá com ela durante sua existência. Por isso, dedico tempo para cada prancha, fazendo questão de usar os melhores produtos do mercado e trabalhar com os melhores profissionais. As Sea Cookies Handshapes são feitas para durarem gerações.
Shapeando
(Fabrício na sala de shape em ação)
            Sobre alternativas de destino responsável aos resíduos, conheço duas iniciativas no mundo. A Marko Foam, nos EUA, que produz blocos a partir de EPS reciclado, e a Santa Rita, uma empresa de SC que recolhe EPS e PU no estado para reciclar e confeccionar produtos usados na construção civil. Para reciclagem de resina poliéster ou epóxi, nunca vi nada comercial. Apenas algumas pesquisas.
            Algumas iniciativas de fabricação com blocos de madeira, resinas ecológicas vegetais, etc, estão sendo feitas no Brasil e no mundo. Nada que promova alguma mudança global.
            Enquanto o atleta exigir “x” pranchas por ano do seu shaper patrocinador, enquanto os atletas usarem descartavelmente equipamentos e venderem essa ideia, enquanto a comunidade surfe querer pagar sempre o mais barato pelo seu equipamento principal do seu amado esporte, não teremos mudanças. Se tem alguém que pode mudar alguma coisa na indústria do surfe, esse alguém é o surfista consumidor. Mas eles não estão muito preocupados com isso. Basta ver muitos sonhando com uma prancha que custa mais de R$5 mil, fabricada do outro lado do mundo por 5-10% desse valor, com um impacto social e ambiental quase sempre negativo, e não se importar nem um pouco com isso. A indústria de pranchas é como uma “salsicharia” e eu escutei isso da boca de quem faz muitas pranchas por semana e espalham isso pelas surfshops do país...
Black Rocket1Black Rocket 2
(Modelo Black Rocket)
GB: E na cozinha? Como começou sua aventura culinária e explique um pouco o que é o Flor & Sal, só cuidado para não deixar todos aqui com água na boca…hahaha.
FF:       Hahahaha... saem uns rangos bonitos, né? Estética não é só nas Sea Cookies Handshapes hehehe... mas garanto que o sabor é excelente. Logo faremos uma parellada e muita lenha juntos!
Flor & Sal
(Apresentação de um prato para dar água na boca!)
            Cresci em volta da cozinha. Lembro ainda pequeno de "ser o sal da casa" quando minha mãe me chamava na cozinha, e meu olhar que só alcançava as chamas do fogão, para experimentar o tempero da comida. Herdei os cadernos e livros de receitas da Dona Lena, minha mãe. Lembro das broas de milho com erva doce e dos biscoitos de polvilho enfeitados com o crochê do pano de prato que fazia com minha Vó Maria na "chacrinha" no interior de Santa Catarina. Lembro de ser chamado pra dentro da confeitaria dos meus tios pela querida Vó Celima, assim que chegava na sua casa, para me deliciar numa fatia generosa do seu maravilhoso rocambole de chocolate, e só daí ganhar dela um chêro, beijos e cafuné. O início da minha relação com a cozinha foi forjada assim, com muito amor e cercado por mulheres fortes.
            Meu lado materno é do campo, da lavoura. As férias das broas e biscoitos se completavam ouvindo "causos" colhendo abacaxis, amendoins, laranjas, ovos e "carpindo" com o Vô Lino. Essa base ancestral e de vivência, me dá a referência para respeitar o tempo, o lugar e, principalmente, as pessoas que cultivam a terra. Amo hortas e mercados públicos e as comidas típicas das ruas ao redor deles. Admiro genuinamente as pessoas que estão nesses lugares sagrados. Mercados revelam lugares, sua gente, a cultura, cores, cheiros e sabores.
            Há pelo menos 26 anos me sinto responsável pelas panelas dos endereços que vivi. Gosto de comer, de satisfazer o desejo pela experiência bioquímica das minhas curiosas papilas gustativas. Gosto de novas referências, de experimentar, da cozinha sem tempo e do tempo da cozinha.
            Em 2018, voltei ao budismo e, depois de alguns retiros e tutoria, aceitei uma percepção que tinha e declarei que iria fazer algo com esse talento. Há um ano, desde março de 2019, época que abri mais um pouco da minha porta para que mais amigos pudessem experimentar minhas alquimias com "flores" e pitadas de sal, a culinária é minha principal fonte de manutenção financeira. Trago pra ela os sabores e saberes das viagens realizadas, amizades e posso cultivar meu sangue de pesquisador, com muita Economia Local, sazonal, intução, ancestralidade, ... é uma diversão e parte da minha missão bodisatva (#compaixãoatravésdaalimentação é nossa # principal).
GM: E o @lugaralgum, tem espaço para a sustentabilidade? Dicas do próximo encontro, pós-Pandemia?
FF:       Esse evento é um xodó! Tem sim, principalmente quando tratamos dos insumos e equipe terceirizada. Nos preocupamos em adquirir o máximo possível dos produtos e montagem do menu em uma curadoria radial crescente ao local escolhido para a realização do evento. Os produtos locais, respeitando a sazonalidade, transformados em um menu exclusivo, é o principal no evento. Além disso, sempre que precisamos contratar serviços para o evento, buscamos parceiros locais. O dinheiro gira, negócios são divulgados e o mundo se tornando melhor.
            O próximo encontro será o #Secreto4 e não tem previsão de data. E é para ser assim. O evento acontece quando o lugar aparece. Ele nasce espontaneamente, nem qualquer necessidade de frequência. Pode acontecer a qualquer momento! Como as coisas na vida, né? Elas vem e vão, como as ondulações...
Lugar Algum 1  Lugar Algum 3 
(Lugar Algum)
GM: Sabemos que a Indústria dos agrotóxicos empurra goela abaixo seus produtos poluentes e nocivos ao planeta. Como podemos combater os gigantes dessa indústria?
FF:       Cara, isso é muito foda! Sabemos e não estamos nem aí, né? O brasileiro bebe glifosato com gelo na borda da piscina e não se importa. É sinistro o que era o mercado de químicos usados na agricultura nos anos 2000, é terrivelmente sinistro a situação atual do Brasil e sua política. É uma realidade e não vou me estender aqui porque realmente é preocupante e temos muitas informações reais de portais e fontes confiáveis sendo divulgadas o tempo inteiro. Só um destaque, usamos produtos nas lavouras que são proibidos em outros países desde os anos 80!!!
            Podemos, e devemos combater, mudando nossos hábitos de consumo. Hoje, na maioria dos grandes centros, encontramos locais que vendem orgânicos. São endereços fixos e feiras, células de consumo consciente, grupos de whatsapp para compras coletivas, assinaturas de cestas com produtos da economia local, sistema de CSA – Comunidade de sustenta a agricultura, etc. O consumo mais consciente é uma realidade cada vez maior, ainda mais agora, durante a pandemia, onde o número de pessoas que teve que começar a cozinhar aumentou. E quem cozinha, compra. E quem compra, precisa escolher, correto? É nessa hora que a mudança pode acontecer. Costumo dizer que “um real na economia local tem mais impacto positivo do que um real em qualquer multinacional”. O quantitativo é podre, o qualitativo salva. Temos que adquirir do pequeno produtor. O grande mercado de alimentos, desde a agricultura até as redes de supermercados, as grandes redes, não vendem alimentos, vendem produtos alimentícios. Eu costumo dizer que, quem lê rótulo não compra! Quando compramos algo, não estamos apenas adquirindo um produto. Estamos dando parte da nossa energia vital em forma de papel para algo que acreditamos e queremos que se mantenha. Quando compramos algo, é como se disséssemos sem saber: Eu acredito nisso e quero que se mantenha para eu comprar novamente! Comprar é se associar de uma empresa, de um movimento e também do impacto gerado para aquele produto chegar até suas mãos. Quando entendermos isso, compraremos, ou melhor, nos associaremos a outras ideias. E ideais!!
            Mas para não ser tão alarmista e parecer pessimista, sou extremamente otimista com o cenário atual. Na última década vimos as áreas produtivas orgânicas crescerem mais de 300% (é a área que mais cresce dentro do portifólio agrícola nacional), quadruplicando os registros de produtores orgânicos nos últimos anos. Da mesma forma, o incremento da agricultura urbana e hortas comunitárias é uma realidade em um número crescente de cidades brasileiras. O governo de Santa Catarina, na contramão do governo federal, criou uma taxação diferenciada para agricultores que não utilizam químicos em suas lavouras. Aqui em Floripa, avançamos com uma lei que tornará a Ilha a primeira cidade do Brasil livre de agrotóxico em seu território. Estamos caminhando bem...
Produtor Local
(Fabrício e Matheus, fomentando a produção local)
GM: Sempre buscamos informações sobre a poluição dos rios e mares, pois trata-se do nosso ambiente e queremos que esteja em condições para praticarmos o que mais gostamos. Atualmente fala-se muito do plástico e micro-plásticos, mas poderia relacionar outros vilões do nosso cotidiano e ações práticas para que as pessoas possam adotá-las, ajudando assim na preservação de onde vivemos?
FF:       Consumo consciente, uso consciente e descarte consciente. Isso pode ser a tripé da nossa mudança. E consciência é fundamentalmente presença e lucidez nas escolhas. Todas. Essa ideia dará certo em tudo que realizarmos. Precisamos aceitar o fato que os seres humanos impactam negativamente o planeta. Nossa forma de consumo e como está estruturada a economia, está comendo o planeta, bebendo toda a água da Terra, exaurindo os recursos naturais ao redor do globo... o que comemos e bebemos, tudo que limpamos e lavamos, de alguma forma vai parar no mar. É o ciclo da água, ela escorre para o nível zero, que é o mar. O que está nos rios, descerão em direção ao mar. O que não ficar preso ou já for consumido nas regiões estuarinas (lagoas e manguezais), inevitavelmente chegará no mar. E chega no mar contaminação visível (lixos diversos) e invisível (hormônios, fármacos diversos, moléculas de drogas, derivados de petróleo), com efeitos agudos (ex. mortandade de peixes; colmatação de sistema digestivo de aves marinhas) e efeitos crônicos (ex. feminilização de peixes; biomagnificação de contaminantes como metais pesados – concentração de contaminantes ao longo da cadeia alimentar). Mas além da poluição química, tem a poluição biológica. Enquanto a densidade demográfica cresce vertiginosamente, inflando as cidades de pessoas em busca de qualidade de vida, os investimentos em saneamento e saúde pública são cada vez mais escassos. Surfar em águas poluídas, com esgoto ou um rio poluído por perto parece ser a realidade que enfrentaremos nas surf cities do Brasil se não mudarmos nossa forma de ver e operar em meio ao mundo. Alimentação, saneamento, saúde e segurança, de fato, e sem escapatória, tem que ser o fundamento das nossas escolhas como cidadão, inclusive escolhas políticas.
            Comprar produtos biodegradáveis para limpeza, roupas de tecidos orgânicos ausente de químicos e nanopartículas, usar cosméticos e filtros solares veganos e orgânicos são exemplos de mudanças. Parecem caro, mas qual o preço de não ter qualidade de ar e água no planeta em que vivemos? Tem quem se defenda dizendo “Ah, mas eu recolho lixo e jogo fora certinho”, mas basta parar um pouco para perceber que não existe fora... o lixo continua em algum lugar dentro do Planeta...
GM: Mudando o foco para as artes e a cultura surfe, teremos o LSA neste ano?
FF:     Nossa, esperamos que sim! Dependemos de apoios financeiros de empresas que tem o mesmo respeito e amor que temos pelo surfe e, principalmente, pelas pessoas que fazem parte de sua história. Nós queremos muito, estamos com as datas reservadas para a sala de cinema e montagem da galeria de arte dentro do principal endereço cultural de Santa Catarina (06 a 16 de Outubro, no Centro Integrado de Cultura, Floripa). 
     Nossa galeria de arte fica exposta no mesmo prédio e andar do Museu de Arte de Santa Catarina. Ver a comunidade que consome arte visitar nossa curadoria e a comunidade surfe consumir outras exposições é uma troca rica que proporcionamos.
     O Lagoa Surfe Arte é um evento que tem um espaço lindo no coração e na agenda de todos que já passaram por ele. Ele tem sua importância porque tratamos a cultura surfe como arte mesmo, envolvendo a comunidade em geral.
Poster LSALSA LSA
(Lagoa Surfe Arte)
GM: Como acha que esta quarentena e a situação mundial poderá afetar a humanidade relacionando tanto, pontos negativos, quanto positivos.
FF:       Só pergunta boa! Que auspicioso isso, amigos!... Bem, é utópico acreditar que ocorrerá uma mudança mundial significativa, alterando a visão de mundo de todos e, finalmente, encerrando essa época de sofrimento, guerras, doenças e fome. Mas gosto de pensar que em algum nível mais sutil, essa mudança que já estava ocorrendo antes desse período de isolamento social, ganha vozes e consequentemente volume. E isso tem relação direta com o silêncio gerado com a quebra da rotina, que reduziu consideravelmente o ruído externo, dando espaço para os sons internos. E nossa percepção do mundo ao redor é outro.
            E nossa relação com tudo que está fora de nós mudou. Percebemos que não temos controle de nada, nunca tivemos e nunca teremos, a impermanência é uma realidade, que a vida é nada mais do que uma sequência de momentos e o que chamamos de “nossa história” é apenas uma pequena amostra disso tudo que conseguimos armazenar de alguma maneira e é incompleta.
            Vemos o mundo com nossos olhos e referências, e ele faz parte de um caleidoscópio cheio de causas e condições que se alteram com o menor movimento de quem o segura.
            Estamos mais conscientes, ou, se não, temos mais momentos para formar uma consciência. E está fácil e o momento é propício. Existe uma grande consciência em expansão. Basta ver o quanto nos aproximamos de quem já reconhecíamos como próximos. Muitos cozinhando pela primeira vez, fazendo alguma prática de meditação ou ioga, lendo mais, pais sendo pais, filhos se sentindo em família, refeições em casa, cursos online sendo disponibilizados, grupos de encontro virtuais oferecendo toda a sorte de ajuda, movimentos sociais expandindo suas ações com doações de diferentes lugares, a organização social buscando soluções onde as políticas públicas não chegam, os animais de aproximando dos centros urbanos, o céu mais limpo e a qualidade do ar melhorando, as águas de tornando mais límpidas, tartarugas desovando em praias que há décadas não apareciam, o movimento de aquisição de produtos da Economia Local.    É um momento de ligar para aquela pessoa que você ainda guarda uma lembrança de um momento que poderia ter sido diferente, reconhecer que ela não é aquilo, desengessá-la daquilo, se desculpar e tirar da geladeira.
            É momento de limpeza interna, de respirar fundo e valorizar a vida. O COVID19, não por acaso, está dando a volta no mundo e nos mostrando que o ar é fundamental para nossa vida. E que somos uma espécie como outra qualquer, insignificante para o Planeta. Damos importância demais para nós mesmos, e isso é ego. E desejo e apego, o que gera não outra coisa além de sofrimento.
            Na contramão disso tudo, há pessoas que teimosamente permanecem no ruído e de alguma maneira precisam da manutenção dele para viver. A turma que diz que não se pode parar e que temos que voltar o mais rápido possível ao normal, ignorando que foi esse normal que nos levou exatamente até este momento. Mas é um excelente momento. Como escreveu Bruno Latour, no texto “Imaginar gestos que barrem o retorno da produção pré-crise” (29/03/2020) “... ficou provado que é possível, em questão de semanas, suspender, em todo o mundo e ao mesmo tempo, um sistema econômico que até agora nos diziam ser impossível desacelerar ou redirecionar. A todos os argumentos apresentados pelos ecologistas sobre a necessidade de alterarmos nosso modo de vida, sempre se opunha o argumento da força irreversível do ‘trem do progresso’, que nada era capaz de tirar dos trilhos...”. Nessa contramão, precisamos estar atentos. A máquina que mói os recursos do planeta e as pessoas através do consumo da energia vital em troca de papéis que retornam para essa mesma máquina teve que reduzir algumas marchas ou mesmo parar. E ela tentará voltar de uma forma irada, movida pelo desejo de recuperar um eventual tempo perdido. Se não nos movimentarmos a partir desse momento, poderemos ter que enfrentar desafios globais ainda piores num curto espaço de tempo. É loucura pensar, mas considerar a hipótese de que o vírus pode aliviar a carga social e previdenciária atual é uma realidade, é uma visão. No texto do Bruno, citado acima, ele traz essa contemplação que não é divergente da atuação de alguns governos e empresários, quando diz que “... é uma oportunidade boa demais de se livrarem do resto do Estado social, da rede de segurança dos mais pobres, do que ainda resta de regulamentação contra a poluição e, mais cinicamente ainda, de se livrarem de toda essa gente em excesso que atulha o planeta”. Apesar de ser bizarro imaginar essa possibilidade, há pessoas em bolhas de realidade tão espessas que acreditam viver dentro de uma normalidade dessas.
            Uma vez escutei que é da natureza do Universo buscar o equilíbrio. Gosto de pensar que é como uma imensa gangorra. Se de um lado temos a ignorância, violência, raiva, do outro teremos a lucidez, amor, compaixão acontecendo. Temos que decidir imediatamente em que lado sentaremos nesse “brinquedo” para colocar o outro no alto de castigo. Decidir, comunicar nossa decisão, defender nossas ideias sem confronto, e mostrar esse caminho. Falar e falar. Não temos memória curta, sofremos de desatenção constante. E esse bombardeio de ruído ganha mais se tivermos desatentos andando bestas e boca-moles. Não fez um ano, era 29 de julho de 2019, quando tivemos o Dia da Sobrecarga da Terra, dia que o planeta Terra começou a consumir mais recursos do que consegue regenerar. E ninguém lembra disso...
            Devemos ajudar as pessoas e os seres todos, com equanimidade. Todos nós nos movimentamos pelo mesmo desejo de ser feliz e temos a vida como nosso patrimônio mais preciso. Precisamos mostrar que existe um caminho melhor para si, com menos ignorância. Os políticos e empresários deveriam aprender com a S.S Dalai Lama: “Se descobrirmos que não podemos ajudar os outros, o mínimo que podemos fazer é desistir de prejudicá-los”.
GM: Para finalizar, por favor, mande seu recado Green Minds para quem quer mudar a forma de como agir com o nosso Meio Ambiente, com o nosso esporte e estilo de vida e dicas para deixarmos um planeta melhor para as próximas gerações.
FF:       Acho que deixamos nas respostas anteriores um pouco disso, de como nos comportar, como se mover no mundo, nesse mundo que acreditamos existir.
            Acredito que o principal para ter uma “mente verde e limpa” temos que diminuir nossa distração, cultivando uma mente atenta e menos atarefada e tagarela.
            Entender que vivemos num mundo de aparências nomeadas e entendidas por conta de acordos, que tudo que vivemos faz parte de um fluxo de outras coisas anteriores e fará parte de outras coisas posteriores, nada importante como antes, tampouco como agora ou depois. Olhar o mundo com mais sabedoria e menos dualidade.
            O mundo é compreendido de milhares formas distintas. Entender o mundo é uma leitura muito pessoal, cultural, social. Menos gosto e não gosto, menos quero e não quero. Menos ego, menos eu, menos autocentramento. Cultivar a sabedoria, a equanimidade, o amor.
            Acredito que seremos muito melhores quando tivermos compaixão por todos os seres, essa visão mais ampla que sabe que todos os seres se movimentam para serem felizes, uns mais atrapalhados, outros menos atrapalhados, mas movidos pela mesma energia. Não existem inimigos, precisamos desengessar as pessoas. Ter a sabedoria que, da mesma forma que quando revisitamos o passado percebemos nossos equívocos, as confusões de hoje serão vistas mais para frente da mesma forma. Nossas ações dependem de causas e condições para acontecer. Mas não somos isso. Se apropriar dessa sabedoria, sorrir para tudo isso, se energizar e agir com os que mais precisam de nossa ajuda, trazer para eles outras referências, retirá-los das suas bolhas de realidade e elevá-los para bolhas mais favoráveis. Devemos nos conscientizar que o que existe de mais sagrado para cada ser é sua própria vida.
            Parar o corpo, respirar fundo, perceber que cada inalação é diferente da próxima, outro momento. Observar a posição de mente que está usando por aí, o que está entregando para os outros, fazendo consigo mesmo, exigindo do outro sem reconhecer as próprias necessidades e podridões internas.
            Cultivar uma visão mais ampla. Tomar consciência da espessura e qualidade do nosso fio que ajuda tecer essa imensa rede e tecido social que nos sustenta. Entender que nossa casa é o planeta todo, não existe lá fora e aqui dentro, estamos na mesma bola mineral cheia de vida presa num cinturão magnético que gira ao redor de uma bola de fogo com energia finita dentro de um vácuo espacial que se desconhece a dimensão.             Damos importância demais à nossa vida mundana recém chegada na história de bilhões de anos de energia solta no Universo. Somos uma das últimas espécies a aparecer no planeta e até agora só avacalhamos essa festa. Nos damos muita importância, mas não somos nada. O COVID19 nos retira o ar, mas libera o espaço para todos os outros animais. Gaia tpa dando um sacolejo na gente e precisamos entender isso. Estamos todos casados com tudo e precisamos nos entender nessa relação sem ser uma visão utilitária e dual.
            Respirar, não há nada que seja mais imediato que a paz interior. Meditar, para ter consciência dos nossos pensamentos, nosso ruído, e perceber os resultados de uma mente responsiva. Ter lucidez e presença em todos os atos e ações externas e saber que fazem parte de ações anteriores e internas, que também devem ser limpas e organizadas. Optar sempre em ajudar os seres. Na impossibilidade disso, jamais atrapalhar ou trazer qualquer prejuízo. Posição de mente e qualidade de mente em todas as decisões. Responder o que quer que seja sempre, nunca de outra forma, sempre com nossa melhor condição de mente presente.
            Optar em cada ato de compra, a entender que essa ação não trará felicidade imediata para nós, mas que as aquisições sejam apenas para nossa manutenção e necessidades, e que as aquisições sejam feitas de produções responsáveis social e economicamente, e, cada vez mais exigindo das marcas isso, sua visão de mundo e posicionamento (visão política; não partidária). Entender que cada moeda no ato de compra é uma forma de dizer “Sim, eu quero que essa forma de produção prevaleça no mundo em que vivemos”, o que de fato é. A gente não compra nada, mas podemos a partir de agora trocar nossa energia vital por algo que vale a pena acreditar.
            Concluo trazendo uma visão da importância da nossa mente e da atenção que devemos dar pra ela. Esse recorte do texto Qual a raiz mais profunda da crise mundial? escrito em 2016 pelo monje Matthieu Ricard:
"... nós deveríamos ser lembrados de que cada guerra no mundo começou na mente, com um pensamento de ganância ou ódio, que cresceu e cresceu, se ampliou mais e mais, e eventualmente inflamou um grupo de pessoas. Mas a raiz de toda violência e sofrimento é um único pensamento em uma mente. Portanto, nós não deveríamos subestimar o poder da mente de conjurar um sofrimento imenso e, ao mesmo tempo, de se libertar deste mesmo sofrimento. Nós não deveríamos pensar que, ao nos engajarmos em uma transformação pessoal profunda, não causaremos nenhum impacto. Então, eu te convido a não perder a coragem no poder de sua própria transformação e na transformação de suas comunidades."
            Gratidão Green Minds pelo convite, pelo espaço para expor boa parte da minha história, valores, sentimentos e inspirações. Deixo o contato aberto aos que conseguiram chegar até aqui e queiram prosseguir com a prosa (hahahahaha). Meu perfil pessoal nas redes sociais é @fafaflores78. Os ventos são sempre favoráveis para quem sabe onde está indo. E tenha certeza que não estamos sozinhos.
Churrasco Quilha Cordinha Assimétrica Rango
Fotos: Arquivo Pessoal
 
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1 comentário

  • Parabéns pela entrevista! Precisamos de mais pensadores como Fabrício, pois é dessa raiz que nascerá a árvore da vivência em paz com a natureza.

    Tito Rosemberg

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